domingo, 18 de setembro de 2011

O Custo da Coragem


O nome desse filme deveria ser: Quem matou Veronica Guerin?

Apesar de ser um título óbvio com uma resposta mais óbvia ainda (para quem viu o filme), é exatamente em torno dessa pergunta que a história toda gira (mesmo que só no final ela morra, não no começo, criando certa aura de mistério).

Veronica Guerin é uma jornalista investigativa do Sunday Independent que vivia na Irlanda. Apesar de só ter iniciado a carreira depois dos 30 anos, aos 38 foi morta ao descobrir a ligação entre a máfia e o tráfico de drogas de Dublin, capital irlandesa. O incrível é perceber como ela fez a diferença. Depois que morreu, muitos ligados ao tráfico foram presos e a criminalidade diminuiu 15% no país.

Esse é o segundo filme que tem a vida da jornalista como temática. E, no filme, quem faz o papel de Veronica não é ninguém menos que Cate Blanchet, grande atriz australiana. O filme é altamente recomendável para aqueles que são da área de jornalismo ou por aquele que tem interesse por pessoas que fizeram de suas próprias vidas uma causa justa e não morreram em vão.

sábado, 10 de setembro de 2011

Pocahontas


Já estava com vontade de ver esse clássico da Disney de 1995 depois de ter visto Avatar e rever Tarzan. É basicamente uma história do início da "descoberta" do Novo Mundo e o conflito entre o indígena e os futuros colonizadores. Pocahontas vive uma história de amor quase shakeasperiano com o Capitão Smith, um autêntico militar inglês. Os dois passam a respeitar o mundo de cada um e aprenderam a se amar apesar das diferênças. É uma história lindinha e cheia de músicas boas.

O que não são muitos que sabem é que Pocahontas foi baseada numa história real, só que com um final bem diferente. O povo dela sofreria as consequencias da colonização e ela, depois de se casar com um inglês, vai para a Inglaterra e morre aos 22 anos depois de sete meses na Europa. Ela odiou o velho mundo e morreu devido a doenças deles, após de servir (literalmente) de circo para uma população inglesa curiosa. Triste e intenso. 

Muitos criticam a Disney por mudar os fatos originais (o capitão Smith também nunca teria sido o amor da vida dela, mas apenas um que realizou uma diplomacia entre os dois povos para que retardasse a destruição da tribo).Mas acredito que o objetivo do desenho não é retratar a realidade, mas sim criar uma história nova que desperte a curiosidade da criançada (e dos amantes de animações, como eu). Quem não ficaria com vontade de conhecer a vida desses indígenas ou a corrida do ouro que os ingleses provocaram. Inclusive, por fim, vou apresentar uma parte de uma das principais músicas de Pocahontas, que retrata até mesmo a atualidade. Ou vocês acham que a personalidade das pessoas mudaram tanto assim de 500 anos pra trás até os dias de hoje? Quem dera...

O que esperar desses pagãos nojentos?
Dessa maldita raça e horrível cor
Eu sei o que merecem
São bons quando falecem
São bichos, animais, ou pior

São bárbaros, bárbaros
Não são nem humanos
Bárbaros, bárbaros
vamos atacar
Afastem-os daqui
Eles merecem guerra
Os tambores vão rufar

São bárbaros, bárbaros
Índio é uma fera
Que teremos que matar

Era o que eu temia
O branco é um demônio
Dinheiro é o deus
Em que eles crêem

Bem sei que os brancos são
Vazios no coração
Nem sangue acho que eles têm

São bárbaros, bárbaros
Não são nem humanos
Bárbaros, bárbaros

Gostam de matar


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Uma Noite em 67


O documentário Uma Noite em 67 mostra o festival da TV Record que aconteceu em 1967 (claro, né?), no auge da Ditadura Militar. Só com cantores de ponta, o evento se tornou um dos mais famosos do Brasil e lançou a carreira dos grandes musicos do MPB.

O ganhador do festival foi o Ponteio de Edu Lobo. A música, que mescla poesia com política havia chamado a atenção de todos. Mas a que saiu com maior fama foi a Roda Viva de Chico Buarque em 3º lugar no festival. É impressionante como as pessoas vibravam com a música e o carisma de Chico. Outra música que também chama atenção é a Alegria, Alegria (que ficou como 4º colocado) que talvez seja a música mais famosa de Caetano Veloso.

Interessante também foi resgatar boas músicas que sumiram da mídia com o tempo, como Maria, Carnaval e Cinzas (que ficou em 5º lugar) de Roberto Carlos e Domingo no Parque (em 2º lugar) com Gilberto Gil e Os Mutantes (quando nem eram uma banda tão conhecida na época). Inclusive, o festival foi importantíssimo para a formação do Tropicália, um dos movimentos musicais mais importantes do Brasil.

Agora, imperdível é a cena em que Sérgio Ricardo perde a paciência com o público, quebrando e jogando o violão em cima deles enquanto cantava Beto Bom de Bola. Isso mostra também a falta de maturidade do público em receber shows. Ficou até comprovado que havia um grupo combinado para vaiar durante todo o evento. Coisa de louco, viu?


ps: O documentário também contou com entrevistas com os músicos da época. Excelente

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Minha Amada Imortal


Ludwig Van Beethoven é um grande músico alemão. Conhecido por suas sinfonías e únicas e temperamento fora do padrão, é considerado um dos mais importantes músicos do ocidente. O filme dá uma pincelada no que foi a vída pessoal de Ludwig dando mais emoção aquelas 5ª, 7ª e 9ª sínfonia.

Tudo no filme roda em volta do testamento de Beethoven. De acordo com o documento, toda sua fortuna (financeira e musical) iria para a sua Amada Imortal. O problema é que Ludwig era um amante de primeira e conhecido por nunca ter amado ninguém. O final é impressionante. Não dá para saber onde termina a realidade e onde começa a ficção, mas dá para se deliciar com o show de atuação de Gary Oldman (também conhecido por sua atuação como Drácula, condenado Lee Harvey Oswald pela morte de JFK, Sirius Black e Comissário Gordon).  De quebra, ainda tem como uma das principais atrizes do filme Isabela Rosselini, filha da estrela do filme Casablanca, Ingrid Bergman, com o famoso diretor italiano Roberto Rosselini.

O incrivel do filme é ver como é a relação do músico com a sua doença (quase uma maldição): a surdez. Num tempo onde não havia tecnologia que o ajudasse, ele teve que ser virar sozinho e acabou por se isolar. E mesmo surdo, foi capaz de compor a 9ª sinfonía, considerada sua obra prima. E o filme foi capaz de transpor toda essa dor e felicidade, tirando a coroa de Ludwig, mas jamais desmerecendo seu talento.

Caso tenha interesse em ver as cartas de Ludwig Van Beethoven para a sua Amada Imortal, leia no blog Sanhas.

Veja aqui o pedaço do filme em que Beethoven toca sua 9ª sinfonía:

domingo, 21 de agosto de 2011

O Violino Vermelho


Uma aula de história. É nisso que se resume o filme O Violino Vermelho.

O violino vermelho tem como inspiração o Red Mendelssohnum violino que hoje pertence a Elizabeth Pitcairn. Ele foi comprado pelo avô dela por 1,7 milhões de libras em um leilão de Londres e possui uma listra vermelha que ninguém sabe de onde veio.

Tudo começa com Nicolo Bussotti na Itália em 1681. Ele, que trabalha na confecção de violinos, constrói um para o filho dele que está prestes a nascer. Acontece que o destino foi cruel e Anna, a mulher dele, e o bebê morrem no parto. Inconformado, ele usa o sangue dela para envernizar o violino e o vende. E assim se inicia toda a saga do instrumento musical que acaba em um leilão nos dias atuais. E com uma fama enorme. As histórias do violino tiveram como base o Tarot da criada da mulher de Bussotti. Ao ler o futuro de Anna, as cartas acabaram mostrando a jornada do violino. E cada uma dessas cartas conta a história de uma pessoa.

A primeira carta é a Lua conta da Própria Anna, mostrando a longa jornada que teria pela frente. Uma viagem demorada e dolorida. Logicamente a carta se referia ao prório violino, por carregar o sangue de Anna para sempre. 

A segunda carta é o enforcado, que conta a história de Kaspar Weiss, um jovem vienense. De acordo com tal carta, ele teria um dom incrível, mas pereceria de uma doença. Tudo começa com a compra do violino por um orfanato. Depois de 100 anos passando o violino de criança pra criança, uma (Kaspar) enfim passa a tocar genialmente bem. Então o orfanato leva a criança para um professor musical que o ensina todas as tecnicas possíveis. Ele tem o coração fraco e se torna completamente dependente do violino. O professor, preocupado com suas contas (já se encontra endividado) faz de tudo para treinar o garoto para se apresentar para a família real e conseguir o investimento de um Mecenas. No dia da apresentação o garoto morre por causa do coração e é enterrado com o violino. É interessante perceber que essa é a época de ouro da cultura vienense, com Mozart tendo morrido em pouco tempo.

A terceira é o Diabo. De acordo com a carta, é uma época de luxo e luxúria, levado pelo além mar. Na história, os ciganos desenterram o piano e vão parar na residencia do lorde Frederik Pope, na Inglaterra. Ele é violinista egoísta e mimado. Tem como sua musa uma escritora que o deixa para escrever na Rússia. Ela era a inspiração para a música dele, quando se vai, ele passa a não tocar mais. Até que o dia ela volta pra ele e o vê tocando o violino, descobrindo que ele tinha arranjado uma nova inspiração (outra mulher). Num acesso de loucura, ela pega a arma e atira no violino, como se ele fosse o culpado por tudo.

A quarta é a história de Xiang Pei, em Shanguai. A carta é Justiça que diz que ela será culpada por um processo e que o fogo é o inimigo. O criado de Frederik é chines e vende o violino para uma loja em Shangai. A mãe de Xiang o compra para a filha. Depois de um tempo, a filha, já mulher, se vê como uma das líderes de Mao Tsé Tung. Nessa época, violino e todos os instrumentos musicais estrangeiros eram inimigos e deveriam ser queimados. Por isso ela esconde o violino, mas quando o descobrem, ela foge e o entrega de volta para o dono da loja. Para ela, o violino "pertence a uma época que já não existe mais".

A quinta e ultima carta é a história de Moritz (Samuel L. Jackson), arqueologista da Duval, leilão de Londres. De acordo com a carta, essa seria a última viagem de Anna, com muito dinheiro e vários erros. O dono da loja em shangai é encontrado morto e todo seu acervo é pego pela Duval. Moritz percebe que tem em mãos o famoso violino vermelho, e na hora do leilão troca de violinos para ficar com ele. É interessante ver os personagens que lutam pelo (falso) violino. Um maestro colecionador (que ganha), um representante da Fundação Pope e uns chineses. Todos partes da história do violino. Peças da vida de um único instrumento musical.

Veja o trailer:


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Donnie Darko


Esse filme já foi eleito por diversas listas de cinemaníacos como um dos mais confusos e estranhos filmes famosos já criados. Eu concordo com o fato de ser confuso, mas não vejo como um ponto negativo. Pelo contrário. É um filme quebra cabeça que, além de tudo, teve espaço para fazer uma crítica social ao preconceito, bullying e "caretice".

No site do New York Times tem bons comentários sobre o filme. Não deixem de ler, é só clicar aqui.

O elenco é fantastico, Jake Gyllenhaal é Donnie e não consigo imaginar outro no lugar dele. Maggie Gyllenhaal, sua irmã (tanto no filme como na vida real) também está no filme. Outros bem famosos, como Drew Barrymore e Patrick Swayze também compõem o filme.

Tudo gira em torno do seguinte: isolamento e doença. Uma coisa leva a outra. Mas o filme gera uma dúvida sobre se a sociedade é ou não responsável pelo isolamento e, consequentemente, pela doença. Donnie Darko é, desde o começo do filme, um garoto problemático. Ele é agressivo e, apesar de ter amigos e uma família nos padrões "american way of life" vive uma infelicidade extrema. Então os pais os colocam no psiquiatra, que o declara como esquizofrênico (para conhecer um pouco da doença, veja no wikipédia).

Mas conforme o filme vai passando, é possível perceber que não é uma doença somente, mas sim uma espécie de vidência. Ela conta com diversas teorías fisicas (sendo uma delas a de Stephen Hawking, na qual diz que você pode quebrar a barreira do tempo num buraco de minhoca) e é resolvido com a teoria do "efeito borboleta" (o que combina bem com a confusão do filme, já que provém da teoria do caos).

É bem interessante perceber a critica social forte em uma sociedade que se diz revolucionária e progressista aparecer como conservadora e religiosa. Mas até nesses reacionários se mostram politizados (principalmente quando a professora desiste de levar as crianças para o campeonato de dança para defender um Patrick Swayze acusado de pedofilia - no filme, é claro). Sem contar os preconceitos raciais (com a menina chinesa - ela era mesmo chinesa?).

No final, percebe-se também que o coelho pavoroso e malvado Frank, fruto da "imaginação" de Donnie acabou por fazer mais bem do que qualquer outro personagem. Ele inundou a escola para que Donnie conhecesse a mulher da sua vida (ironia pura, pois no fim - para que ela vivesse - eles não poderiam se conhecer) e botou fogo na casa do pedofilo para que todos conhecessem a câmara obscura sexual (tudo pelas mãos do confuso Donnie). Mas fiquei com uma pergunta na cabeça: então era o destino que Donnie morresse pela turbina do avião? Ele era mesmo um amaldiçoado? Mesmo com dois universos "paralelos" acontecendo? Que azar, viu?

ps: encontrei um esquema que pode ajudar as pessoas a entenderem melhor o filme, é só clicar aqui para vê-lo.


domingo, 7 de agosto de 2011

Gainsbourg - Vie Héroique



Lucien Ginzburg, vulgo, Serge Gainsbourg foi um dos mais conhecidos compositores franceses. Acostumado a trocar os ritmos musicais com a mesma freqüência que criava canções polêmicas, conquistou facilmente grandes mulheres da sua época (Juliette Gréco, Catherine Deneuve e Brigitte Bardot foram algumas delas), mas teve como sua principal musa Jane Birkin.

“Perverter a juventude, isso eu quero.”

O filme, em homenagem a esse compositor quase esquecido pelo mundo afora, consegue resgatar uma França boêmia e glamorosa a partir da vida dele. O filme conta com belas imagens de pessoas bem vestidas e lugares luxuosos, envoltos a muita bebida e cigarro.

Joan Sfar foi o diretor do filme. Ele já era conhecido por seus desenhos na frança e pôde imprimir sua marca no filme, criando o alter ego de Gainsbourg, um grande orelhudo e narigudo ser animado que tinha a clara intenção de acentuar os defeitos do cantor e que podia comandar sua arte. Aliáis, uma arte egoísta, por assim dizer. O que fosse necessário para o sucesso Lucien e seu amigo orelhudo fariam para chegar até lá. E o auge foi com a música Je T'aime... Moi non plus.

Trazendo uma narrativa completamente diferente das biografias épicas que vemos, o filme inova apostando em personagens animados cômicos sem tornar o filme engraçado e em uma bela direção de arte, tornando o filme mais belo a cada minuto que passa. A atuação dos atores Erik Elmosnino (que levou o prêmio César de melhor ator pelo filme), Laetitia Casta (tão bela que foi escolhida para ser o rosto de Marianne, a imagem da República Francesa) e Lucy Gordon (que se suicidou após as filmagens).

De acordo com alguns meios de comunicação, o filme também relançou alguns estilos próprios das atrizes Bardot e Birkin. Leia mais sobre isso clicando aqui.