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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Feliz Natal


Feliz Natal foi dirigido e co-produzido por Selton Mello. Sim, aquele ator que fez Mulher Invisível, Meu nome não é Johnny, Jean Charles, Lope, e muitos outros filmes também é diretor. E não fez feio nesse. Ganhou um bocado de prêmios em festivais conhecidos como o Cine Cero Latitud de Quito, Equador, Los Angeles Brazilian Film Festival e da Seleção Oficial dos Festivais de Nova York, Havana, São Paulo, Paris, Lima, Rio de Janeiros e outros. 

Eu tenho uma tendência a preferir o cinema alternativo brasileiro. Não por querer se cult (ou pseudo-cult), mas sim porque nos grandes filmes brasileiros me parece que falta um pouco de psicologia. Os seres humanos sempre são formados pelo ambiente em que vivem (Cidade de Deus e Tropa de Elite que o diga), não digo que são ruins, mas tem hora que cansa. 

E esse filme, apesar de incomodar, escapa da mesmice de retratar pobreza, comédia e hipocrisia como assunto principal. A história se baseia numa família desestruturada. O personagem principal é Caio, filho que volta do interior, onde tem um ferro velho, para a casa da família na cidade. Lá ele encontra uma mãe com síndrome de Tourette, um pai que não o perdoa por ter ido embora e só pensa em transar com meninas novas, um irmão rancoroso por ter que cuidar de todos da família (financeiramente) e uma irmã que, apesar de cansada, é otimista.

Na verdade, talvez o principal personagem deva ser o pequeno Bruno, sobrinho de Caio. Ele dá uma paz ao filme que chega a impressionar. O final, diferente do que costumamos ver, com conclusão e tudo, termina pior do que começou. Quando Caio volta para sua terra ele não parece tranquilo ou feliz de ter revisto a família. O pequeno Bruno, que seria a paz de tudo também se dá mal. Sem saber, toma os remédios da avó grosseira. E o que acontece pela frente não será nada agradável. Sem dúvidas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pontes de Madison


Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

The Bridges of Madison County
Filme estadunidense de 1995, dirigido e protagonizado por Clint Eastwood. Mostra a história real da dona de casa italiana Francesca, casada e com dois filhos, que mora em uma fazenda em Madison. Depois de sua morte, ela revela aos seus filhos o grande amor da sua vida, o qual teve contato físico por apenas quatro dias. Ele se chamava Robert e era um fotografo da National Geograph a procura das pontes cobertas que existiam na cidade. Sendo um romance detalhista, conta a história real de um amor impossível, sem cair na pieguice ou no conceito de “Romeu e Julieta”.

“Os velhos sonhos eram bons sonhos. Não se realizaram, mas foi bom tê-los.”

O principal foco do filme é o amor de mãe que Francesca nutria, capaz de fazê-la sacrificar seu grande amor, mesmo sabendo que iria sofrer para sempre. Por ser uma família rural, a tendência de ser moralista é enorme e o filme mostra como esse moralismo pode modificar as relações entre as pessoas. Os filhos, ao conversar sobre a morte da mãe, não mostram nenhuma tristeza profunda, apenas se preocupando com o que ficou da vida dela para eles.

“Eu agia como outra mulher.”

Ao descobrirem as cartas de amor entre a Francesca e Robert, os filhos entram num conflito interno. Não sabiam se deviam respeitar e entender a mãe, ou rejeitá-la como a adúltera que foi em vida. Como os valores de família e os de casamento eram considerados importantíssimos, não era inesperado que o pai lhes fosse mais presente e importante na vida deles. Logo, ao descobrirem uma falta de respeito dessas, a mãe ficaria para trás. Esse pensamento funcionou até o momento em que eles começaram a se enxergar no lugar da mãe. Começaram a rever seus próprios casamentos, que são falhos. Até por que conseguiram finalmente enxergar que, acima da traição, a mãe abandonou tudo (emprego próprio, cidade natal [Bari, Nápoles], amor verdadeiro, aventuras) que ela poderia ter para construir a tal família. Até que chega um momento em que os próprios filhos passam a se sentir mal por não ter a coragem que ela teve.

“Sentir-se só faz parte. Sentir medo faz parte.”

Voltando para o passado em que Francesca conheceu Robert, esse encontro aconteceu devido a uma viagem de sua família e à desorientação do fotografo, que não conseguia achar as tais pontes. Essa viagem familiar funcionou como uma terapia de liberdade e bem-estar para Francesca. Podendo ficar a vontade em casa, ouvir a música que gosta e se apreciar melhor e com mais calma. É importante perceber como ela se transformou, antes era uma mulher quieta e singela, mas apagada diante a vida que escolheu, depois é uma mulher que liberta seu erotismo e emana certa felicidade interior.

“É triste morrer como uma desconhecida para quem mais se ama.”

Robert se mostra um cara solitário e aventureiro. Rodando o mundo e acostumado a seus relacionamentos rápidos e intensos, se surpreende ao perceber que começa a amar Francesca. Eles chegam até a entrar em um conflito, no qual Francesca não sabia se ela era apenas mais um relacionamento temporário “normal” para Robert ou se era algo mais.

“Eu não sei se consigo fazer isso... Espremer uma vida inteira entre hoje e sexta.”

Talvez o ápice do relacionamento deles se encontre quando eles percebem um único fato: o amor era impossível. Se eles ficassem mais tempo juntos, o peso do escândalo, do fracasso familiar e das cobranças iria minar todo aquele amor que um nutria pelo outro. Então preferiram transformar esses quatro dias em um conto de fadas.

“Deixei a minha vida para a família. Quero deixar a minha morte para Robert.”

Na indecisão de ir embora, Francesca decide ficar com a família. A segurança do lar e o respeito de seus filhos lhe foram mais importantes do que sua felicidade e seu amor. No último momento, sentindo o peso de sua escolha, ela pode ver seu amor indo embora para todo o sempre. E o engraçado é que o amor entre eles não havia acabado até a morte dela. Quando seu marido morre (bem antes dela mesma morrer), ela tenta retomar o contato com Robert, mas em pouco tempo depois, ele também morre (e deixa tudo que ele tinha de herança para ela). O amor nunca foi tão impossível de se concretizar. Da mesma forma que Robert, ela pede para ser cremada e que as cinzas sejam jogadas na tal ponte em Madison que ela concretizou seu amor pelo fotógrafo. Felizmente seus filhos cumprem com seus desejos.

“Você nunca imagina que um amor assim aconteceria contigo. Mas, agora que aconteceu, quero ficar com ele para sempre. Quero amá-lo do jeito que amo agora toda a minha vida. Entretanto, se formos embora, perdemos tudo. Não tem como fazer sumir uma vida e criar outra nova. Ó me resta tentar me agarrar a nós em algum lugar dentro de mim. Ajude-me.”

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Vida é Bela

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

La vita è bella
É um filme italiano de 1997 que é dirigido e protagonizado por Roberto Benigni. Como ator, levou Oscar, BAFTA e Prêmio David di Donatello. O filme também levou Oscar, Prêmio César e Prêmio David di Donatello de “melhor filme estrangeiro”. Levou o Prêmio Goya de “melhor filme europeu” e recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Levou também o Oscar de “melhor canção original” e Prêmio David di Donatello em “melhor fotografia”, “melhor figurino”, “melhor diretor”, “melhor produção”, “melhor cenografia” e “melhor roteiro. O filme ainda contou com Nicoletta Braschi, que era a real esposa de Roberto Benigni. No filme, eles formavam um par completamente apaixonados. Isso tudo ajudou a dar aquela naturalidade incomum que os filmes têm. E deliciosa, diga-se de passagem.

“Bom dia, princesa.”

Em um roteiro completamente diferente e atraente, o filme se divide em duas partes. Uma é comédia romântica em 1959 e a outra é um drama em 1945. O filme começa com Guido e seu amigo Ferucio indo para a cidade grande. Lá eles seriam garçons do tio de Guido, que possui uma vida luxuosa. Guido é um inteligente nato em termos de charadas (apostando sempre uma com um cliente do restaurante). Zombeteiro, ridiculariza as classes privilegiadas e a idéia de uma raça ariana. Por ser judeu, sofre preconceitos, mas passa por cima deles com muito otimismo. A princesa da sua vida é Dora, que sempre se encontrava ao acaso, como se fosse o destino. Apesar de estar noiva de outro, Guido a conquista em meio a trapalhadas, casam e têm um filho chamado Giosué. Roberto Benigni faz brincadeiras e cria situações que nos fazem lembrar muito do Charles Chaplin e seu personagem O Vagabundo.

“Já vi fornos a lenha, mas nunca a gente.”

Quando Giosué tem cinco anos, a família já é prospera. Guido tem sua livraria, o tio continua no restaurante e Dora continua a dar suas aulas. Quando menos se espera, Guido, o filho e o tio são levados pelos Nazistas para o campo de concentração. Dora, num ato de desespero e amor, pede para ser levada também. A idéia de viver sem o filho e o marido é pior do que viver sozinha. Para que Giosué não sofra, Guido inventa um jogo no meio do campo de concentração, disfarçando a idéia de que eles estariam presos. Nesse jogo, eles teriam que juntar mil pontos para ganhar um tanque de verdade (sonho de Giosué). A partir daí, as brincadeiras que Guido tanto usava para humilhar os outros passa a ser humilhante para ele mesmo. Mas o que ele não faria pelo filho? Num momento irônico, ele reencontra o seu amigo das charadas. Ao pensar que o amigo queria ajudá-lo a sair de lá, deposita todas suas esperanças nele. Na verdade, ele só queria ajuda em mais uma charada. Guido, sabendo que Dora também estava no campo de concentração, procurou as mais diversas formas de se comunicar com a mulher de sua vida. Encontrou um microfone e colocou uma vitrola para tocar com a sua música preferida. Essas provas de amor acabavam por funcionar como um meio de esperança para que ela suportasse todos os horrores por qual estava passando. Num determinado momento, os velhos e crianças começam a ir para o chuveiro (sendo, na verdade, câmeras de gás). O tio vai para o “chuveiro” e morre, mas Giosué foi teimoso e não quis tomar banho. Ao se esconder, acabou por se salvar e seu pai aproveitou para transformar o chuveiro em mais um obstáculo para chegar até o tanque, mantendo o filho escondido sempre. Na véspera do fim do campo de concentração, ao esconder o filho e tentar avisar à sua mulher pra ela não ser levada pelos Nazistas, ele é encontrado e fuzilado. Até nesse momento, ele é otimista e brinca para que o filho não se preocupe. Infelizmente isso não foi o suficiente. Mesmo sendo otimista, bondoso e amado, ele morreu. No final, apesar da clara apologia à entrada americana na guerra, Giosué consegue subir num tanque e reencontrar a sua mãe, tornando-o perfeito e feliz.

“Essa é a minha história, o sacrifício que meu pai fez e o presente que ele me deu.”