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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bastardos Inglórios


Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Inglorious Basterds

Filme estadunidense lançado em 2009. Christopher Waltz, pelo seu papel como ator coadjuvante, levou todos os prêmios que o filme ganhou: Oscar, BAFTA, Globo de Ouro, Festival de Cannes e Screen Actors Build. Foi dirigido por Quentin Tarantino que considera o filme sua obra-prima épica. Toda a história se passa na França em plena II Guerra Mundial, invadida pelos alemães.

“Nazistas não têm humanidade.”

Misturando o fictício com realidade, o filme mostra duas histórias paralelas que tem por fim o mesmo objetivo: acabar com o Nazismo. A primeira é a história de Shosanna, uma judia que tem toda sua família morta pelo coronel Hanz Landa da SS (atuado magistralmente por Waltz), mas que consegue fugir para Paris e assim construir sua vida. A outra é a história do grupo Bastardos Inglórios (que existiu na realidade). Eles tinham como o único objetivo matar o maior número possível de nazistas.

“Au revoir, Shosanna.”

Em 1944, três anos depois de o coronel psicopata Hanz Landa matar sua família, Shosanna foi adotada pela família Mimieux e ganha um novo nome: Emmanuelle. Depois que sua família adotiva morreu, Emmanuelle passou a cuidar do negócio da família, um pequeno cinema chamado Le Gamaar, com um negro, que também era seu amante (apesar de seu relacionamento não ser público por causa do preconceito nazista). É nesse cinema (uma clara metalinguagem do filme) que tudo irá acontecer. Um dia, conheceu Fredik Zoller, um soldado nazista condecorado por matar 300 judeus do alto de um campanário. Ele chegou a se tornar ator do filme em que ele representa sua própria façanha e se apaixona pela jovem Mimieux. Assim, ela foi catapultada para a alta sociedade alemã a tal ponto que Goebels decidiu passar o tal filme de Fredik em seu cinema. Lá estaria presente a nata da sociedade nazista: Hitler, Goebels, Goring e Bormann. E assim, Emmanuelle aceitando a tudo passivamente, arquiteta sua vingança suicida. Inclusive, essa aceitação forçosamente passiva de Mimieux mostra a verdade histórica na falta de respeito dos nazistas pela França e pelos franceses. Cá entre nós, esse foi um dos momentos mais humilhantes da França, ao abrir o majestoso Palácio de Versalhes para o bel prazer de Hitler e levarem algumas obras importantes do Museu do Louvre para enfeitarem suas próprias casas.

“Eu quero meus escalpos.”

Os Bastardos Inglórios era um grupo com oito soldados liderados por Aldo Raine. Eles tinham como o objetivo mínimo matar 100 nazistas e levar seus escalpos a Aldo. O objetivo maior era matar a todos que encontrassem pelo caminho. Aqueles que eles deixavam viver eram marcados a faca com o símbolo da suástica na testa. Não menos cruéis que o coronel Landa, faziam parte do grupo Hugo Stiglitz e o Urso judeu. Stiglitz é um psicopata alemão que traiu o próprio exército ao matar treze oficiais da Gestapo. Já Donny, que leva o apelido de Urso Judeu, tem a fama de matar nazistas com porradas de bastão. Ao descobrirem o encontro dos nazistas no cinema Le Gamaar, eles decidem arquitetar um plano com a espiã da Inglaterra Bridget Von Hammersmark, uma famosa atriz alemã.

“Eu bato em você e você bate no chão.”

Emmanuelle junta o maior número de rolos de filmes possíveis (350) de madame Mimieux e coloca atrás da tela do cinema. Os rolos de 35 mm eram tão explosivos (por causa do nitrato) que eram proibidos de serem transportados em bondes. Ela irá trancar as portas de entrada do cinema e colocar fogo com todos dentro da sala de exibição. Paralelamente, os Bastardos Inglórios se encontram com Bridget num bar que fica num porão (falta de estratégia completa por parte da atriz) e lotada de nazistas (falta de sorte, um deles acabou de ter filho e foram liberados do exercito durante o dia). Mas o maior problema foi o cineasta contratado pelos ingleses para explicar a Operação Kino. O cineasta não tinha sotaque alemão, apesar de se passar por um. O porão se transforma numa verdadeira batalha e quase todos que estão lá morre (só Bridget vive). Aldo Raine e Donny (que não haviam participado da conversa) a tiram de lá e cometem mais um erro: esquecem o sapato dela lá. Ou seja, esse momento foi o maior fracasso dos mocinhos no filme. E quem poderia mais se apoderar desse erro? O coronel Hanz Landa, é claro.

“Eu sei o que o ser humano é capaz de fazer quando abandona a dignidade.”

No dia da exibição cinematográfica, quatro dos Bastardos Inglórios entram com Bridget no cinema. Hanz os recebe, leva a atriz para uma sala privativa e testa o sapatinho nela. Diferente do desenho da Disney, o “príncipe” pula no pescoço de Von Hammersmark e a mata. Depois, pega dois dos Bastardos Inglórios (Aldo e o Urso), os prende e os levam para um restaurante vazio (os outros dois já haviam entrado). Assim, negocia com Aldo e o chefe de operações inglesas (por telefone) em conseguir uma vida nos EUA em troca de deixar “tudo rolar” no cinema. E ele consegue. Não antes de Aldo marcá-lo na testa. Assim, ele jamais deixará de ser um nazista reconhecido por todo o mundo. No cinema, Emmanuelle libera o comando para o negro atear fogo no cinema, mas mata Fredik e é morta por ele antes que ele morresse. O filme, chamado “Orgulho da Nação” para de ser passado por um momento e aparece ela declarando todo seu ódio e desprezo. Quando todos se dão conta do que está realmente acontecendo já é tarde demais: as portas estão trancadas. E tudo pega fogo. Os dois Bastardos Inglórios conseguiram entrar no camarote de Hitler (visivelmente retratado como um louco) e acertam muitos tiros em seu rosto, ativando as bombas presas aos seus pés em seguida. O cinema inteiro explode e ninguém sai vivo de lá. A vingança de Tarantino foi conquistada. E todos morreram antes de fazer maior mal. Pena que foi apenas um filme.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Queda! - As últimas horas de Hitler


Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Der Undergang

Filme alemão realizado em 2004 que alterna entre o gênero drama e documentário. Dramatiza com um profundo realismo os capítulos finais da Alemanha na II Guerra Mundial. Foi baseado no livro “Dentro do Bunker de Hitler” (tradução livre) de Joachim Fest, na autobiografia de Albert Speer e nas memórias de Traudl Junge, última secretária de Hitler.

“Deixei minha curiosidade vencer.”

Esse filme tem sua peculiaridade ao mostrar a guerra pelos olhos dos alemães, chegando a humanizar Adolf Hitler. O ditador era visto por Traudl como amável e brutal ao mesmo tempo. Na verdade, a maior crítica não está na crença na raça ariana e todas suas conseqüências, mas sim nas consequências do fanatismo. Em todos profundamente ligados (ou não) ao nazismo havia, de certa forma, uma loucura causada pela paixão que seu ideal havia causado. Era preferível matar e morrer a continuar a viver em um mundo sem o tal nazismo.

“Vocês não entenderam? Perdemos a guerra. Acabou!”

O filme já começa com Berlin sendo destruída pelos russos. Poucas são as tropas que resistem. Alguns já se entregaram, traindo o Furher. Outros, por questão de honra, ficam, lutam e quando não podem mais resistir, se matam. E nesse grupo se encontram até jovens de 12 e 14 anos. Em meio a guerra, mostra a decadência física da Cidade de Berlin, outrora uma das mais belas cidades do mundo.

“Em uma guerra como esta não há civis.”

Furher mostra não ter a menor compaixão por seu povo. Inclusive, coloca a culpa neles pela derrota. Eles teriam sido muito fracos. Hitler ainda sonha com a cidade ideal (limpa e pura), mas admite que nem seu próprio povo pode fazer parte dela. Aliais, é sabido que nem o próprio Hitler era alemão, mas sim austríaco. Essa idéia foi mostrada sutilmente no casamento do ditador com Eva Braun, no qual ele não quis mostrar sua identidade e assim provar que era da raça ariana. Assim, como último suspiro, ele instaura o ‘clauserwitz’, sacrificando o máximo de soldados e civis possíveis.

“O que ele tem a perder?”

Hitler começa a ter seus acessos de loucura, achando que estava sendo traído por seus próximos e que os soldados são fracos e ineficientes. Foi o último a admitir que havia perdido a guerra. Mas mesmo com tudo perdido, o Furher não perdoa traidores e fugitivos, mandando que todos sejam mortos. Em Berlin, esse posicionamento faz com que as tropas passem a enfrentar os próprios compatriotas, os quais muitos queriam fugir para sobreviverem à guerra, ao invés de lutar e morrer nela.

“Sempre obedeci às leis da natureza, nunca me permitindo ter compaixão.”

Na derrota iminente, muitos começaram a se matar no Bunker. E o primeiro a cometer o suicídio foi Hitler e Eva Braun (que ironicamente, era a mais otimista do lugar e leal ao ideal e à vitória), que, respectivamente, se matou com uma arma e se envenenou. Foram usados 200 litros de gasolina para queimar o corpo do casal. Na sequência, muitos dos militares da alta estirpe começaram a se matar (após de festejarem muito). Nem o cachorro de Hitler sobreviveu a isso. Mas a cena mais chocante é quando a Sra. Goebels envenena seus seis jovens e belos filhos e depois pede para que seu marido a mate. Tudo porque, sem o nazismo, não havia futuro para eles.

“A sorte foi lançada”

Entre os que ficaram vivos, muitos não quiseram se render, mas os Russos conseguiram chegar até o centro e não havia mais o que se fazer. As secretárias de Hitler fugiram do Bunker antes do suicídio em massa e uma delas (Traudl) conseguiu passar por entre as tropas russas por ser civil e mulher. Por fim, no dia 7 de maio de 1945 a Alemanha se rende. Como resultado, 50 milhões de pessoas morreram ao todo.

“Os mais fortes só serão vitoriosos se erradicarem os mais fracos.”