quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que terá acontecido a Baby Jane?

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

What ever happened to baby Jane?

Filme estadunidense de 1962 baseado no livro homônimo de Henry Farrell. Levou o Oscar de “melhor figurino” e foi perceptivelmente influenciado por filmes como Psicose e Crepúsculo dos Deuses ao usar o preto-e-branco opcional e retratar a decadência e isolamento de grandes estrelas do cinema. Apesar da falta de confiança no filme, o show de atuação das atrizes Joan Crawford e Bette Davis fez do filme um verdadeiro sucesso.

1917

Jane Hudson (Bette Davis) brilha nos palcos de teatro com seu pai, apesar da pouca idade. Mimada e grosseira, tem noção do sucesso que faz e do dinheiro que traz pra casa, o que a torna mimada e teimosa. Blanche Hudson (Joan Crawford) sua irmã igualmente criança, sofre com a falta de atenção dos pais e com as “mimadices” de sua irmã. E promete que se lembrará disso no futuro.

1935

Agora é o contrario. Blanche é a estrela do cinema, já havia se firmado como a rainha das telas e era um sucesso estrondoso. Jane entre em decadência por sua péssima atuação diante as câmeras e começa a beber sem parar. Ela era uma atriz de teatro infantil, isso não indicaria que seria uma boa atriz de cinema, mostrando também a importância dos filmes diante as peças de teatro. O teatro estava no passado, assim como Jane. O prelúdio do que estar por vir é quando a Blanche decide comprar a antiga mansão do Valentino. Ele era uma antiga e muito famosa estrela do cinema mudo, que não conseguiu se adaptar ao novo cinema que estava por vir. Mal sabia que ela entraria no mesmo esquema. Blanche também era conhecida por sua simpatia e bondade com a irmã que estava com a carreira em queda. Até o dia do acidente de carro que a deixou paraplégica e minou para sempre a carreira das duas (Jane havia fugido do local no momento e foi sumariamente culpada por tudo).

1963

As irmãs Hudson, já em idade avançadas, se encontram completamente solitárias, isoladas dentro da antiga mansão Valentino. Blanche, em sua cadeira de rodas, permanece sempre presa em seu quarto no segundo andar por sua condição. Jane, mais beberrona e visivelmente frustrada e rancorosa por ver que a carreira de sua irmã é repetidamente lembrada, se mostra cada vez mais enlouquecida pelo esquecimento e envelhecimento.

Ao saber que Blanche quer vender a casa (que Jane diz ter sido comprada com seu próprio dinheiro ganho na infância) e colocá-la num “lugar que cuidem bem dela” (literalmente um hospício), passa a enlouquecer de vez. Tira os telefones do alcance das mãos de Blanche, dá um pássaro morto e depois um rato para ela comer, joga as flores e cartas de fãs fora e passa a imitar a voz de Blanche nos telefones e também as assinaturas dela nos cheques. Apesar de Blanche ter piedade da irmã sempre, percebe que tudo está passando dos limites e decide agir logo, mas já era tarde demais. Todos seus meios de comunicação foram cortados, a condição física não ajudava e sua única pessoa que mantinha contato além da irmã era a empregada Elvira, que havia sido morta pela mesma. A Elvira é o foco da bondade de Blanche e do desprezo de Jane, iria morar junto com ela quando Jane fosse pro hospício. Era o símbolo da liberdade de Blanche. E, ao descobrir Blanche amordaçada e amarrada na cama por Jane, é morta com uma martelada na cabeça. É depois disso que vemos a total loucura de Jane, quando ela diz que foi obrigada a matar a Elvira e culpa até mesmo Blanche por isso. Ao perceber que a irmã deve morrer, Jane então decide arranjar dinheiro à sua própria maneira. E a idéia dela foi simples e, para ela, com certeza daria certo: voltaria a cantar a sua música de sucesso quando era a Baby Jane.

“Eu escrevi uma carta para o papai.”

Depois de colocar um anúncio no jornal e Edwin, um pianista desempregado, aparecer em sua casa para tocar a sua música, a loucura de Jane enfim se torna “pública”. O que antes somente sua irmã vira, agora uma pessoa de fora também poderia ver. Jane canta e dança como se ainda tivesse seis anos. Seu comportamento e felicidade são praxe de crianças de seis anos. Mas seu corpo e sua voz não. Esses ela não têm como enganar. Apesar de ter percebido no começo, seu estado de loucura atingiu um limite tal que nem de frente pro espelho ela percebia que o tempo havia passado e que, em Jane, não havia nenhum Baby. Mas nem tudo era culpa dela. Ninguém foi capaz de dizer na cara dela que ela não era mais lembrada e que havia envelhecido. Por motivos diferentes (educação, dinheiro, pena, etc.) todos permaneceram calados e Jane interpretou o silêncio erroneamente, como se fosse positivo para ela.

“Você não era feia. Eu a fiz assim.”

Tudo começou a cair por terra quando Edwin, que já sabia do passado das irmãs Hudson e que continuava a ir à mansão somente pelo dinheiro, descobre Blanche amordaçada e quase morta. Em vez de ajudá-la, sai correndo desesperado e posteriormente chama a polícia. Jane então leva as duas para a praia, lugar de tantas lembranças do passado dela com pai, quando treinavam juntos para ela ser a Baby Jane. Lá, Blanche entra naquele assunto que ela sempre quis evitar: o acidente de carro. Blanche admite, enfim, que não foi Jane que tentou atropelá-la, mas sim o contrário. Blanche tentou passar por cima de Jane. Estava com raiva por ter sido tão mal-tratada por tanto tempo. E assim se esvai o último fio de sanidade de Jane. Depois da notícia, a única coisa que ela resolver fazer é buscar um sorvete, regressando de uma vez por toda ao seu estado infantil. O sumiço das duas, tão noticiado nos jornais, fez com que a polícia fosse alertada e acabaram por a encontrarem na sorveteria. Quando os policiais a cercou e uma multidão se formou em volta, ela fez aquilo que ela achava que tinha nascido para fazer durante toda sua vida: cantar e dançar. Afinal, para ela, a multidão estava lá para ver isso. A loucura havia lhe dado o perdão. Ela nunca veria o quão fundo havia chegado. Pelo menos os policiais encontram sua irmã na areia e a salva. Ou não.

“Então poderíamos ter sido amigas o tempo todo?”

domingo, 17 de outubro de 2010

Nine

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Filme estadunidense lançado em 2009 e baseado na peça homônima da Broadway (ganhadora de vários Tony). Essa peça foi baseada no famoso filme "Oito e Meio" de Federico Fellini. O título desse filme (8 e 1/2) estaria ligado ao número de filmes dirigidos por Fellini. Então, fica óbvio de onde vem o título do filme, dessa vez dirigido por Rob Marshall, Nine (9). Apesar de 10 indicações ao todo no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA, não levou nenhum dos prêmios. O filme chama atenção pela mistura da fala americana, italiana e francesa nas canções e pela quantidade de protagonistas conhecidos mundialmente (são seis ganhadores de Oscar, uma vencedora do Globo de Ouro e uma ganhadora do Grammy). Temos, como ator principal, Daniel Day-Levis e também as magníficas Sofia Loren, Nicole Kidman, Fergie, Judi Dench, Kate Hudson, Marion Cottilard e Penélope Cruz.

"Você mata o seu filme várias vezes. Sobretudo ao falar dele."

É bom, antes de falar sobre o filme, que o objetivo não é imitar o Fellini 8 1/2, mas sim o espetáculo teatral que veio posteriormente. A metalinguagem do filme acontece no cineasta sem a menor inspiração para criar um filme enquanto suas próprias lembranças acabam por formar um filme. Todas essas lembranças o impediam, de certa forma, de criar um filme chamado “Itália”, até entender que a Itália dele era exatamente essas lembranças. E quem melhor para formar essas lembranças do que as mulheres de sua vida?

“Me pergunto, do que vale algo bom senão em excesso?”

Aclamado como um dos principais cineastas da Itália, Guido Contini (Daniel Day-Levis) entra numa crise onde não entende seus desejos. Conseguiu tudo que queria, mas queria mais. Ele queria tudo. Apesar de já o ter. Sem conseguir admitir seu “fracasso” em criar um filme, ele foge para o Spa Bellavista Hotel para se isolar de tudo e de todos. A tentativa foi frustrada, pois seu produtor o encontrou e levou toda sua equipe para o Spa. Talvez sua frustração se encontre na velhice. Ter a noção que um dia poderá morrer pode assustar a qualquer um.

“Quem tem medo de beijar seus pés? Eu não!”

A belíssima Carla (Penélope Cruz) é a amante que Guido carrega desde muito tempo. Ela é loucamente apaixonada por ele e pelo sexo que tem com ele. E é com ela que Guido realiza muitas de suas fantasias sexuais. Apesar de chamá-la pra ficar no Spa, ele a coloca numa pensão velha e barata. É como se ele não a quisesse perto, mas não conseguisse ficar sem ela. Ela percebe esse distanciamento e se sente rejeitada. Num determinado momento, ela tenta (e fracassa) o suicídio. Assim, Guido entende o mal que fazia para ela, e a entrega de volta para o marido dela, Luigi. É como se ele encerrasse mais um capítulo de sua vida.

“Le cinema hoje está em crise. Os diretores são tão existencialistas.”

Lilli (Judi Dench) é a figurinista de Guido. Parisiense, foi dançarina na época dos exuberantes Folies Bergerés. Adora a música, a dança, a cor e os exageros. Foi ela quem moldou o Guido cineasta. Moldou tanto que ela passa a conhecê-lo mais do que ele mesmo, muitas vezes prevendo suas ações e erros. É a ela que ele deve todo seu conhecimento e paixão pelo cinema (e pelas mulheres). Independente do que aconteça, ela sempre estará ao lado dele. E ele sempre voltará pros braços dela. E é ela que tenta salvar seu filme e o casamento. Infelizmente isso não dependia somente dela.

“Sua imaginação não teve uma educação moral.”

Perdido, Guido inicia uma busca espiritual ao saber que o cardeal do Vaticano se encontrava no Spa. Há uma eterna contradição na Igreja Católica, muito bem definida no filme ao mostrar a adoração pessoal pelos filmes de Guido enquanto publicamente condena-os. Apesar de não ser católico nas ações, acredita no Deus cristão. Ao ouvir as repostas a seus conselhos, percebe que não era isso que estava procurando. E acaba lembrando-se das mais velhas recordações. Dos tempos de infância, enquanto estudava em um internato religioso.

“Seja italiano. Seja cantor. Seja conquistador.”

A primeira experiência de Guido aconteceu enquanto ele estava nesse internato. Ele e seus colegas juntaram dinheiro suficiente para pagar Saraghina (Fergie), uma prostituta grosseirona, rústica e pobretona que mora num Bunker abandonado após a II Guerra Mundial. Ela lhe apresentou o mundo das mulheres e os prazeres da carne, mesmo que só visualmente. Depois dela cairiam muitas amantes belas e passageiras nas mãos de Guido. Mesmo ele sendo castigado pelos padres que encontraram os meninos no meio da dança erótica de Saraghina.

“Você quer minha alma? Bom proveito.”

Luiza Contini (Marion Cottilard) é a personificação da perfeita esposa católica. Deixou de atuar (famosa na época) para se casar com ele, sendo completamente devota. É o símbolo do sacrifício pelo casamento. Sacrifício esse que não se mostra valido. Sentindo-se rejeitada e sabendo de suas traições (principalmente com Carla), derrubou o casamento ao perceber que Guido já tinha outra esposa: os filmes. O trabalho era muito mais importante que a esposa. As mulheres estão apenas na beirada dos filmes. Tudo é feito em prol dos desejos que ele possui. E ela não aguenta mais essa situação. Depois de se separar dele (mesmo com ele não querendo o término do casamento, pois a ama de verdade), ela volta a atuar e fazer sucesso. Também arranja um novo relacionamento, e se torna uma pessoa feliz.

“A vida é real como no cinema italiano.”

O que melhor do que uma jovem e sexy jornalista americana morrendo de amores por seu ídolo? Guido não podia deixar Stephanie (Kate Hudson) passar pela sua vida sem se deitar com ela. A paixão que ela tinha pelo seu trabalho era um elogio que ele precisava. E um afrodisíaco também. Mas no último instante ele percebeu que iria ser mais um caso conturbado em sua vida. E que ele já havia encerrado esse momento da sua vida (após terminar com Carla). Ele não podia se enrolar nisso novamente.

“Você acha que muitas te amarão como eu?”

O fantasma da mãe de Guido (Sofia Loren) o perseguia. O saudosismo que tem pela mãe está ligado diretamente à proteção que ela lhe dava. Ela guiava seus passos. Mesmo depois de morta.

Assim, Guido volta à Roma. E volta para os estúdios. Lá encontra a última inesquecível mulher de sua vida.

“Ela é a inspiração dele.”

Cláudia Jenssen (Nicole Kidman) é a musa e a protagonista dos filmes de Guido. Ela é a representação da mulher por detrás de todos os homens e é apaixonada por Guido. Mas ela se mostrou a mais realista de todas. Sabia que ele não era capaz de amá-la. Que ele amava a mulher que estava atrás das lentes das câmeras, não a mulher da vida real. E que ela não poderia fazer nada para mudar isso. E por isso, ela desiste dele. Ela quer a vida real, não a vida das telas de cinema.

“Se deixar de ser criança não fará mais filmes.”

Então ele se vê completamente abandonado por todas suas mulheres e desiste de fazer o filme Itália, tirando um tempo para recuperar. Após de provar o anonimato (e curti-lo), finalmente ele entende qual o filme da vida dele. O filme é as mulheres da vida dele. Sem elas, ele não seria nada. E sem ele, elas não seriam um filme. Elas não seriam história. Ele começa a entender a sua vida. E a recomeçá-la. Então o tema de sua vida (e do filme) é exatamente aquilo que ele nunca conseguiu lidar: as mulheres.

“Ação!”



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bastardos Inglórios


Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Inglorious Basterds

Filme estadunidense lançado em 2009. Christopher Waltz, pelo seu papel como ator coadjuvante, levou todos os prêmios que o filme ganhou: Oscar, BAFTA, Globo de Ouro, Festival de Cannes e Screen Actors Build. Foi dirigido por Quentin Tarantino que considera o filme sua obra-prima épica. Toda a história se passa na França em plena II Guerra Mundial, invadida pelos alemães.

“Nazistas não têm humanidade.”

Misturando o fictício com realidade, o filme mostra duas histórias paralelas que tem por fim o mesmo objetivo: acabar com o Nazismo. A primeira é a história de Shosanna, uma judia que tem toda sua família morta pelo coronel Hanz Landa da SS (atuado magistralmente por Waltz), mas que consegue fugir para Paris e assim construir sua vida. A outra é a história do grupo Bastardos Inglórios (que existiu na realidade). Eles tinham como o único objetivo matar o maior número possível de nazistas.

“Au revoir, Shosanna.”

Em 1944, três anos depois de o coronel psicopata Hanz Landa matar sua família, Shosanna foi adotada pela família Mimieux e ganha um novo nome: Emmanuelle. Depois que sua família adotiva morreu, Emmanuelle passou a cuidar do negócio da família, um pequeno cinema chamado Le Gamaar, com um negro, que também era seu amante (apesar de seu relacionamento não ser público por causa do preconceito nazista). É nesse cinema (uma clara metalinguagem do filme) que tudo irá acontecer. Um dia, conheceu Fredik Zoller, um soldado nazista condecorado por matar 300 judeus do alto de um campanário. Ele chegou a se tornar ator do filme em que ele representa sua própria façanha e se apaixona pela jovem Mimieux. Assim, ela foi catapultada para a alta sociedade alemã a tal ponto que Goebels decidiu passar o tal filme de Fredik em seu cinema. Lá estaria presente a nata da sociedade nazista: Hitler, Goebels, Goring e Bormann. E assim, Emmanuelle aceitando a tudo passivamente, arquiteta sua vingança suicida. Inclusive, essa aceitação forçosamente passiva de Mimieux mostra a verdade histórica na falta de respeito dos nazistas pela França e pelos franceses. Cá entre nós, esse foi um dos momentos mais humilhantes da França, ao abrir o majestoso Palácio de Versalhes para o bel prazer de Hitler e levarem algumas obras importantes do Museu do Louvre para enfeitarem suas próprias casas.

“Eu quero meus escalpos.”

Os Bastardos Inglórios era um grupo com oito soldados liderados por Aldo Raine. Eles tinham como o objetivo mínimo matar 100 nazistas e levar seus escalpos a Aldo. O objetivo maior era matar a todos que encontrassem pelo caminho. Aqueles que eles deixavam viver eram marcados a faca com o símbolo da suástica na testa. Não menos cruéis que o coronel Landa, faziam parte do grupo Hugo Stiglitz e o Urso judeu. Stiglitz é um psicopata alemão que traiu o próprio exército ao matar treze oficiais da Gestapo. Já Donny, que leva o apelido de Urso Judeu, tem a fama de matar nazistas com porradas de bastão. Ao descobrirem o encontro dos nazistas no cinema Le Gamaar, eles decidem arquitetar um plano com a espiã da Inglaterra Bridget Von Hammersmark, uma famosa atriz alemã.

“Eu bato em você e você bate no chão.”

Emmanuelle junta o maior número de rolos de filmes possíveis (350) de madame Mimieux e coloca atrás da tela do cinema. Os rolos de 35 mm eram tão explosivos (por causa do nitrato) que eram proibidos de serem transportados em bondes. Ela irá trancar as portas de entrada do cinema e colocar fogo com todos dentro da sala de exibição. Paralelamente, os Bastardos Inglórios se encontram com Bridget num bar que fica num porão (falta de estratégia completa por parte da atriz) e lotada de nazistas (falta de sorte, um deles acabou de ter filho e foram liberados do exercito durante o dia). Mas o maior problema foi o cineasta contratado pelos ingleses para explicar a Operação Kino. O cineasta não tinha sotaque alemão, apesar de se passar por um. O porão se transforma numa verdadeira batalha e quase todos que estão lá morre (só Bridget vive). Aldo Raine e Donny (que não haviam participado da conversa) a tiram de lá e cometem mais um erro: esquecem o sapato dela lá. Ou seja, esse momento foi o maior fracasso dos mocinhos no filme. E quem poderia mais se apoderar desse erro? O coronel Hanz Landa, é claro.

“Eu sei o que o ser humano é capaz de fazer quando abandona a dignidade.”

No dia da exibição cinematográfica, quatro dos Bastardos Inglórios entram com Bridget no cinema. Hanz os recebe, leva a atriz para uma sala privativa e testa o sapatinho nela. Diferente do desenho da Disney, o “príncipe” pula no pescoço de Von Hammersmark e a mata. Depois, pega dois dos Bastardos Inglórios (Aldo e o Urso), os prende e os levam para um restaurante vazio (os outros dois já haviam entrado). Assim, negocia com Aldo e o chefe de operações inglesas (por telefone) em conseguir uma vida nos EUA em troca de deixar “tudo rolar” no cinema. E ele consegue. Não antes de Aldo marcá-lo na testa. Assim, ele jamais deixará de ser um nazista reconhecido por todo o mundo. No cinema, Emmanuelle libera o comando para o negro atear fogo no cinema, mas mata Fredik e é morta por ele antes que ele morresse. O filme, chamado “Orgulho da Nação” para de ser passado por um momento e aparece ela declarando todo seu ódio e desprezo. Quando todos se dão conta do que está realmente acontecendo já é tarde demais: as portas estão trancadas. E tudo pega fogo. Os dois Bastardos Inglórios conseguiram entrar no camarote de Hitler (visivelmente retratado como um louco) e acertam muitos tiros em seu rosto, ativando as bombas presas aos seus pés em seguida. O cinema inteiro explode e ninguém sai vivo de lá. A vingança de Tarantino foi conquistada. E todos morreram antes de fazer maior mal. Pena que foi apenas um filme.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma vida sem Limites

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Beyond the Sea

Filme estadunidense protagonizado e roteirizado por Kevin Spacey, foi filmado em 2004 e conta a história de Bobby Darin. Seu nome verdadeiro é Walden Robert Cassotto e ficou muito conhecido por suas canções e atuações em filmes hollywoodianos.

“Lembranças são como raios de luar. Fazemos o que quisermos com elas.”

Vítima da febre reumática, que o manteve na cama durante toda a sua infância, era garantido que não iria viver até os 15 anos. Foi abandonado pelo pai e criado pela mãe, aprendendo a cantar e dançar desde cedo. Ao perceber que poderia viver muito mais do que aquilo que os médicos garantiram, começou a correr atrás de uma carreira como cantor. E assim ele lança aquela música que o tornaria em um ídolo para os adolescentes: Splish Splash.

Resolve também atuar nos cinemas de Hollywood, onde conhece a sua futura mulher e também estrela de cinema: Sandra Dee. Ela ainda era jovem, tímida, recatada e limitada pelas opiniões de sua mãe. Depois de conhecer Bobby, começa a se libertar e troca sua mãe por Bobby (quando viu que não havia como manter os dois). Depois de casados, começaram a disputar o estrelato e sucesso. Tudo começou a desandar quando Sandra teve um filho (Doddy, que mais tarde iria escrever um livro sobre o relacionamento dos dois) com ele e não conseguia criá-lo. Além disso, não podia atuar em seus filmes ao ter que sair em turnê com seu marido.

“Não se pode errar com a verdade.”

É perceptível como a ambição de Bobby Darin movimentou a vida dele. O objetivo que ele havia criado com a mãe era em ser mais famoso que Frank Sinatra. No final, ele realmente o conseguiu, apesar de sua mãe não viver o suficiente para poder vê-lo. Ganhou muitos prêmios e ganhou destaque nas rádios e nos cinemas. No auge da fama, se mostrou extremamente perfeccionista, beirando ao exagero. Apesar disso, agradava a todos, principalmente aos participantes de sua banda.

Sendo contra políticas conservadoras (fato perceptível ao colocar um comediante negro numa época que isso não era aceito), Bobby Darin passa a se engajar politicamente, sendo contra a Guerra do Vietnã e apoiando Bobby Kennedy. Paralelamente, suas músicas começaram a sair de moda e o cinema enfraqueceu, passando a pegar filmes fracos e sem visibilidade.

“Talvez não tenha tido um pai, mas você teve duas mães.”

Quando finalmente decide entrar na política, sua irmã revela ser a verdadeira mãe dele (e sua mãe era, na verdade, sua avó), para que ele não possa ser prejudicado depois. Em choque, ele se isola, arrebenta todas suas recordações de um passado glorioso e se isola num trailer (é nesse momento que ele abandona Sandra Dee). Lá ele passa a criar canções políticas que, em público, não fazem sucesso. Todos queriam ouvi-lo cantar Dream Lover, uma de suas canções mais famosas do passado. Para piorar, ele foi taxado de hippie, uma ofensa para a época. O plano que ele havia construído com sua mãe havia acabado. Infelizmente, sua doença do passado não o havia esquecido e Bobby Darin morre numa cirurgia do coração em 1973 aos 37 anos.

“Não é assim que acaba. Bobby Darin não morre.”

O filme mostra sempre o lado criança de Bobby Darin ao mostrar ele, em sua forma de menino, como espectador dos shows e principais momentos da vida do grande cantor. Ele veria essa criança sempre. E ela ficou com ele até a sua morte. A estrela Bobby Darin nunca morrerá, mas a criança sim. E a vida segue. E muitas serão como a dele: sem limites.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vestido de Noiva

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Filme de 2006 baseado na obra-prima de Nelson Rodrigues. Escrita em 1941, é uma das dramaturgias mais conhecidas e confusas de Rodrigues. Inclusive, foi dessa literatura que surgiu a dramaturgia moderna brasileira. Levou o Prêmio ACIE em “melhor atriz”.

A história se baseia em três planos: realidade, loucura (sonho) e lembrança. Esses planos são unidos constantemente, numa reconstrução atemporal, deixando o espectador na dúvida sobre qual seria a realidade afinal. Tudo acontece no período da 2ª Guerra Mundial (e um pouco depois). A história começa a partir do momento em que Alaíde e sua família se mudam para a casa da antiga cafetina Madame Clessi. Ela havia sido morta com uma navalhada por um jovem amante de 17 anos. E nessa casa, Alaíde encontra o diário e algumas roupas dessa Cafetina e passa a se deslumbrar pela história dela.

E então, ela é atropelada por um carro. E julga que isso foi intencional. Nisso, ela perde a memória. Bate no prostíbulo de Madame Clessi e pede ajuda a ela, para se recordar do que aconteceu. Sim. Madame Clessi está morta. Fica obvio que este é o plano da loucura ao Clessi aparecer bela, feliz e bem-humorada. As ‘empregadas’ da casa disseram que ela havia morrido feia, gorda e cheia de varizes. E que havia sido enterrada vestida de branco, como uma noiva. Juntas, passam a relembrar não só o passado de Alaíde, mas como também o de M. Clessi, que também não sabe como morreu.

Enquanto isso, ela se encontra no hospital em coma. Os jornalistas passam a publicar o acontecido e descobrem que foi um acidente. Apenas um acidente. Alaíde acha que matou Pedro, seu marido. E um senhor no Bordel a chama de Assassina. Ao mesmo tempo, ela se recorda em ter vestido as roupas sexys de Clessi para o seu marido e ele a ter rejeitado por isso. Então, joga um vaso na cabeça dele e o mata. Assim ela se sente livre. Também percebe que o ama. Por fim, descobre que a ‘mulher do véu’ é o verdadeiro motivo da morte dele.

Alaíde passa a se recordar do dia em que casou com Pedro. E descobre que a ‘mulher do véu’ é a sua irmã Lúcia. Ela conta que Pedro era seu namorado anteriormente, apesar dele nem sequer reconhecê-la (ou fingir isso), e se mostra ressentida pelo casamento de Alaíde. As duas passam a disputar os homens e seus charmes até a Lúcia ameaçá-la de morte, para assim poder casar com o Pedro. É por isso que Alaíde acredita que o atropelamento havia sido proposital. E percebe que a morte do marido era apenas uma ilusão. Uma vontade. Descobre também que ele a traia sempre.

Clessi se lembra da história ao lembrar-se do rosto do filho que morreu novo. O jovem amante se chamava Alfredo Gummont (em homenagem a peça La Traviata) e eles eram realmente apaixonados. O que entrou no caminho deles foi a pouca idade de Alfredo. A mãe dele descobre tudo e confronta Clessi, que a expulsa da casa após de entender a hipocrisia dela e perceber que ela havia ferido seu orgulho. Por fim, ela decide abandoná-lo. Ele não aceita bem, a mata e depois se mata.

Alaíde, em seu confronto com sua irmã, passa a ofender a mãe (dizendo que ela transpira muito) lembrando bem a infância e suas brigas fraternais. Alaíde morre do coma. O pensamento de que tudo seria apenas um drama de classe média inventado por Alaíde cai por terra quando Pedro confirma ter aprontado tudo e que a idéia havia saído da própria Lúcia. Assim, ele poderia casar com Lúcia. Só que Lúcia sofre muito com a morte da irmã, e se sente assombrada pela tal. Apesar de ter sempre desejado a morte da irmã, é a que mais sente falta.

Ao entender tudo, Alaíde finalmente se liberta e perdoa a irmã. No casamento de Lúcia e Pedro, Alaíde aparece vinda do altar vestida de noiva ao som da marcha fúnebre. Ao mesmo tempo, Lúcia segue em direção do altar ao som da marcha nupcial. Ao se encontrarem, Alaíde entrega seu buquê a Lúcia e segue com Madame Clessi para a morte. Lúcia, mesmo sabendo que era ilusão dela, se sente melhor e segue em direção ao seu noivo. Uma conseguiu o direito de viver feliz com quem queria. A outra ganhou o direito de seguir para a morte após de uma vida que nunca lhe seria suficiente. Talvez, se permanecesse viva, Alaíde poderia realmente matar seu marido e, por fim, ser morta por sua irmã. Mas essa é outra história. Uma história que não acontecerá.



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Joana D'Arc


Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

The Messenger: The Story of Joan of Arc

Filme francês e estadunidense filmado na Republica Tcheca em 1999. Seguindo o gênero épico, conta a história de Joana D’Arc, uma camponesa francesa que dizia ouvir vozes (que, hoje dizem, ser da Santa Catarina) que se tornou uma heroína francesa e, mais tarde, padroeira da França. Levou o Prêmio César nas categorias de “melhor figurino” e “melhor som”.

“Sigam-me, e lhes trarei a vitória.”

Em 1429, a França se encontra sob o domínio da Inglaterra. A família real lutava pelo trono e pela independência do país. A principal cidade (Orleàns) se econtrava sob o domínio inglês. E o tesouro real havia ruído. Joana D’arc, uma camponesa de 17 anos se apresenta ao rei Valois como uma mensageira de uma voz. E essa voz dizia que a missão dela seria salvar a França. E pede ao rei um exército.

Quando mais jovem, Joana D’Arc viu sua aldeia ser destruída pelos ingleses e sua irmã morta e violada por um dos invasores. Já nessa época era capaz de ouvir vozes e as contava para um padre que a aconselhava a seguir essas vozes, desde que as mesmas sejam boas.

Para que o rei pudesse acreditar nela, põe outra pessoa no trono e finge ser mais um da corte real. Ela percebe que quem está no trono não é o rei e identifica o próprio, venerando-o. Nessa altura, ela já havia se tornado popular na França e era conhecida como a Condessa de Lorraine (nome de sua aldeia), então o Rei decide se arriscar e dá o exercito a ela. Assim, ela corta o cabelo como homem, veste a armadura de cavalheiro, monta no cavalo como homem e passa a liderar a batalha contra Orleàns.

Na batalha, ela passa a ter problemas na liderança por ser mulher, mas conquista o respeito de seus comandantes por sua bravura e estratégia militar (que diz ser enviada por Deus). Apesar de ser estressada e impulsiva, ela vence a batalha e recupera não só a cidade de Orleàns, mas também a auto-estima do exército. Os ingleses passam a considerá-la uma bruxa. E na batalha final, ela oferece paz a eles, que a aceitam. Mas mesmo assim, ela se surpreende e se indigna com o banho de sangue que foi.

“Você viu o que você quis ver.”

Depois dessa vitória, Valois é oficialmente coroado Rei da França em Reims num ritual apressado e desorganizado. É engraçado ver as igrejas tendo seus rituais ridicularizados (como o ato da confissão e o óleo sagrado). Joana quer continuar a batalhar e recuperar as áreas francesas que ainda estão sob o poder dos ingleses. O rei, mesmo sabendo que ela teria um exercito menor e decidido a não mandar mais apoio, a deixa ir na batalha. É nessa hora que ele a abandona. É nessa hora que tudo passa a dar errado. Ela perde a batalha em Paris e é capturada na batalha de Compiégne pelo Duque de Burgundy. Ele a troca por Ouro. E quem a paga? Não, a Inglaterra. A França não tinha recursos e muito menos disposição a pagar por ela. Já a Inglaterra, tinha muito a perder se ela continuasse em campo. O exército inglês já não queria lutar por medo dela.

Assim, ela é entregue as autoridades da Igreja. E, claro, o julgamento estava focado em arrancar a confissão de que ela havia praticado a heresia por qualquer custo. Assim, poderiam queimá-la. O padre de Roma, representante do vaticano, considera o julgamento uma farsa (sendo preso pelo comandante do exército inglês). Porém, em seu julgamento, Joana não se submete às autoridades da Igreja que a considera herege e decide pô-la na fogueira se ela não assinasse um documento indicando que as visões e vozes eram mentiras. Ela decide assinar por desespero ao saber que iria morrer sem se confessar anteriormente. Mas alguém do exército inglês entra na cela e coloca roupas de homem nela, sendo enviada de volta para fogueira. Dessa vez, sem volta.

Mas o mais interessante foi ver o julgamento interno de Joana D’Arc. Ela passa a receber a visão da “morte” em si que mostra que as visões e vozes não passaram realmente de acasos bem imaginados. Assim ela começa a se auto-sabotar. É como se ela descobrisse que ela tinha esquizofrenia. Percebe que suas ilusões eram mentiras e que a luta aconteceu por ela mesma. Havia lutado por vingança e pelo patriotismo gerado após da invasão em sua aldeia. E esse julgamento sim, foi muito mais severo que o da própria Igreja. Mas após se confessar para a sua “morte”. Ela vai para o fogo. E vai tranquilamente.

“Não me abandone, por favor. Onde está você?”

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tosca

Atenção: O filme é comentado do início ao fim, podendo conter spolier.

Filme de 2001 baseado em uma das óperas italianas mais amadas do mundo. Obra prima de Giaconno Puccini, o filme fez parte da seleção oficial do Festival de Veneza. O filme é dividido em duas filmagens. Uma seria o ensaio da ópera em um estúdio, com fones e microfones em volta dos cantores e da orquestra. A outra seria a atuação dos tais cantores, com a orquestra em OFF e um cenário imaginário e teatral.

"Sossega sua alma. Sempre direi: Floria, te amo."

A história começa com o pintor Mario Caravadossi trabalhando na gravura de uma capela. Essa gravura deve representar a Maria Madalena. Por ironia, ele a pintou se baseando no corpo da mulher que (mesmo sem aparecer em nenhum momento) foi a peça chave para acontecer a tragédia final. Floria Tosca, sua amante e cantora da corte, aparece cheia de ciúmes pela gravura, mas o amor que um nutre por outro vence e ela sai de cena ainda enciumada e mais apaixonada. Em seguida, entra o seu amigo Angelotti, que fugiu da prisão após de ter sido preso por ser cônsul da extinta embaixada romana. Ele é irmão da menina que inspirou Mario a fazer a gravura e tem consigo roupas dela para se disfarçar e fugir pra bem longe. Por sua amizade, Mario o ajuda a se esconder no poço de seu jardim. O pintor é o mocinho da peça o tempo todo, se mostrando amável e leal.

“O veneno a corrói.”

Scarpia, o barão responsável pela prisão de Angelotti descobre que o fugitivo se escondeu com a ajuda de um cúmplice e tem a certeza de que o tal seria o pintor Mario. Então decide fazer um joguinho que é uma verdadeira homenagem ao Othello de Shakespeare. Com um lenço que encontrou na capela, fez com que Tosca acreditasse que o Mario estivesse com uma amante. Ela realmente acredita e vai atrás do pintor.

“Tosca, você me fez esquecer Deus.”

Após de cantar novamente na corte, Scarpia acua Tosca e a sonda para saber sobre Mario e seu fugitivo. Percebe que o ciúme dela acabou e que não havia amante nenhuma. Percebe também que começa a desejá-la. Então manda prender Mario e torturá-lo até ele dizer onde está Angelotti. Mesmo sob tortura, Mario não diz e força então Tosca a falar. Aproveitando-se do amor que ela sentia pelo pintor, ele passa a torturá-la psicologicamente com a tortura física de seu amante. E por fim, ela fala onde está o fugitivo para que Scarpia pare de torturar o seu amor.

“Você me pede uma vida, eu te peço um instante.”

Assim, Scarpia manda os dois para a forca. Um por fugir e o outro por trair sua pátria. Tosca entra em pânico e tenta entrar em acordo com o barão. Então ele diz que irá simular a morte do pintor em um fuzilamento e ela terá que se deitar com ele. Depois os dois estariam livres para ir embora do país. O interessante é ver que Scarpia não nutre um amor e nem sequer uma paixão por Tosca. É apenas um desejo da carne, na qual ele mesmo diz que irá usá-la e jogá-la fora. E esse mesmo desejo foi intensificado ao descobrir que Napoleão Bonaparte havia vencido (e ele ser do grupo oposto). Na iminência de uma derrota certa, ele tinha que levar algum proveito.

“Porque, ó senhor? Por que me compensaria assim?”

Tosca, no máximo de seu sofrimento, passa a indagar Deus e a igreja, pelo mesmo se mostrar ausente na hora em que ela mais precisa. Inclusive, o próprio Scarpia chama a Deus quando decide se aproveitar de Tosca. Após de ele usar um código (o qual seria para colocar balas de borracha nos fuzis que irão acertar Mário) com seu empregado, ele avança em Tosca. Mas, em troca ele é esfaqueado bem na altura do coração pela mesma. Ela conseguiu pegar uma faca na mesa e acertá-lo no meio do abraço. E, assim, ele morre. Em felicidade, ela consegue encontrar o pintor antes do fuzilamento e juntos cantam pelo amor, liberdade e futuro que terão em outro país. A tragédia acontece quando o fuzilamento se mostra real e Mário morre. Scarpia havia mentido a ela. Ele não iria salvar o seu amante. Ele iria usá-la e deixá-lo morrer. Ela entra em pânico e vê todos seus sonhos se desmancharem à sua frente. Quando houve os guardas procurando por ela ao acharem o corpo do barão morto, ela usa todo seu desespero como coragem para saltar do alto do prédio. E morre. Na verdade, desde o momento em que o pintor havia feito o retrato de Maria Madalena tudo já estava perdido. É como se fosse o destino. Não havia como ser diferente.